Estávamos eu, a Sil e o Diego (meus irmãos) saindo para um passeio no meu carro, eu ao volante... Não sei dizer se era dia ou noite. A poucas quadras da casa da minha mãe, em Toledo, vejo uma inscrição no chão, com letras levemente irregulares: “Não pare neste cruzamento”. Estranhei, pois, os carros desciam a avenida (Nossa Senhora de Fátima) em alta velocidade e se eu não parasse, me estatelaria contra outro veículo. Óbvio que parei para esperar minha vez e também tentava colocar o cinto, a pedido da minha irmã. Neste momento sinto um estrondo contra meu carro e ao erguer a cabeça vejo uns dez moleques gritando. Tentei arrancar, mas tinha medo de atropelar os meninos que tentavam nos assaltar e, além disso, do meu carro parecia enguiçado. Vi a expressão de apavoro dos meus irmãos e eu mesma não sabia o que fazer. Acho que pensei: “É o fim”. E era: acordei, sobressaltada. Logo voltei a dormir e não tive mais sonhos ou pesadelos. Ou não me lembro deles. Para quem não estava dormindo, acho que é bom sinal passar a ter sonhos ou, pelo menos, pesadelos... Só fico intrigada porque tendo a crer que os sonhos têm significado e não consigo, na maioria das vezes, apreendê-lo. Quando fazia terapia, a minha terapeuta fazia umas análises interessantes. Uma delas foi sobre um sonho que tive com um helicóptero que caía, enquanto eu o observava na companhia de um amigo que estava letárgico. Quando consegui convencê-lo a descer para olhar o estrago, a moto que estava estacionada não funcionava... A análise tinha a ver com um certo estado de letargia em que havia me colocado: um amigo se ação e dois veículos sem movimento... Apesar das minhas indagações sobre os sonhos e o inconsciente, acho que a psicanálise é para os psiquiatras e psicólogos. Aos leigos, cabe uma frase do Raymond Aron: “Para cada um de nós, a psicanálise é uma interrogação, um questionamento, um exame de consciência necessário. Mas, para viver, é preciso esquecê-la o mais possível. Não devemos pensar, cada vez que esquecemos alguma coisa, que quisemos esquecer. Só eventualmente.”
Publicado em 05 de novembro de 2003 às 12:42 por lori