Cacos para um vitral

Mais uma...

... da fenomenal (nas palavras do fenomenal Drummond) Adélia Prado.


Com licença poética


Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

Publicado em 06 de novembro de 2003 às 00:48 por lori

Comentários

    • Vc é mais que desdobrável, Ca. Vc é excelente! Tenho muita saudade e tenho lido seu blog. Parece feliz. To torcendo.
      Se conseguir, leia um post que escrevi em 19 de agosto do ano passado...
      Bjos

      P.S. Eu também sou, talvez mais do que gostaria. Hehe!
    • por lori
    • 06.Nov.2003 às 17:44 - Permalink - Reportar
    lori
Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado

captcha

Digite os caracteres da figura acima. Temos que fazer isso para evitar spam.

Ainda não é cadastrado? Cadastre-se agora!