Cacos para um vitral

Uma faxina na alma

Limpando as gavetas da alma

não teve dúvidas:

jogou fora a coleção de frustrações.


Para o lixo também foram

o álbum dos amores impossíveis

e os recortes sobre dores inacabáveis.


Os alfarrábios escritos na alma

com letras tortas

foram dizimados.


Na gaveta das mágoas

– tanta coisa havia! –

hesitou em mexer.


Abriu a mirrada gaveta da coragem

e jogou – sem olhar –

as mágoas de um a cem.


As outras tantas restantes

ainda lhe eram necessárias

– o faria na próxima faxina.


E prosseguiu:

tirou as lembranças saborosas

da gaveta do fundo – emperrada –


Sabores, odores e amores

foram parar sobre a cômoda

visivelmente dispostos.


Belas cores dispersas

Reunidas na primeira gaveta

fizeram uma festa interminável.


Et la vie continue.

Publicado em 16 de novembro de 2003 às 16:51 por lori

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